Arquivo para 28 de março de 2009

Equipe a equipe no treino de classificação

Brawn GP – Estupenda. Sensacional. Mágica. São diversos os adjetivos para qualificar o desempenho da equipe. Fez a pole, e não só isso. Dominou as três sessões do treino com uma autoridade pouco vista nos últimos tempos. Mesmo com seus difusores sub-júdice (o que, no entanto, mesmo se julgado ilegal pela FIA, não afetará os resultados das primeiras corridas), a equipe mostrou organização e tem dois pilotos eficientes. Button foi pole, mas pela proximidade do resultado, não haveria nenhuma surpresa se Barrichello o fosse.

Red Bull – Conseguiu um terceiro lugar com o fantástico Sebastian Vettel. Mais importante que isso, entretanto, foi demonstrar que o carro da equipe, apesar da baixa quilometragem, tem potencial. Mark Webber foi relativamente bem nas duas primeiras partes do treino, contudo, na última, foi apenas o décimo colocado. Deverá comer a poeira de Vettel no decorrer do ano.

BMW – Robert Kubica conseguiu um surpreendente quarto lugar no grid. Esperava mais da BMW, visto que a equipe desenvolve o modelo F1.09 desde o meio da temporada passada. Nick Heidfeld, que corre com o único carro da equipe equipado com o Kers, ficou com um apagado 11º lugar.

Williams – Pequena decepção com Nico Rosberg e grande decepção com Kazuki Nakajima. No caso do Rosberguinho, não que largar em 5º seja um desastre, mas por ter dominado todos os treinos livres, fica um gosto amargo. Nakajima larga em 13º, posição desastrosa pelo potencial demonstrado pela equipe.

Ferrari – Sexta posição com Massa, sétima com Raikkonen. Não usa o tal difusor mágico. Lembremos, pois, que a Red Bull também não usa. Não está mais pesada que os competidores que largam à frente. Portante, o desempenho da equipe italiana foi de médio para ruim. Tem dois pilotos de qualidade, entretanto, o que pode dar alguma esperança para a equipe durante a corrida. No máximo, brigará por um pódio.

Renault – O carro da Renault é ruim. Dito isso, vemos Fernando Alonso em 10º, posição que pode ser creditada 100% à habilidade do piloto. Com a punição a Lewis Hamilton e à equipe Toyota, Nelsinho Piquet subiu para 14º. O treino dele, contudo, foi desastroso, já que não havia sequer passado da primeira parte. Ano difícil à vista.

McLaren – De Flecha de Prata à Âncora de Prata. A McLaren de 2009 não é nem sombra da equipe dos últimos anos. Kovalainen, quem diria, classificou-se à frente de Hamilton, em 12º. O inglês, por sua vez, enfrentou problemas de câmbio. A peça precisou ser trocada e, com isso, veio a punição. Sai em 18º, pior posição de largada da sua carreira na F-1. Com um carro não tão bom em mãos, terá que provar seu talento no decorrer da temporada.

Toro Rosso – Se o carro não é ruim – já que tem o mesmo berço do Red Bull -, faltaram mais testes. A equipe dos Tiões tem o único estreante da temporada, Buemi, que sai em 13º. Bourdais, por sua vez, começou mal a temporada e sai apenas em 17º.

Force India – Fez o que se espera da equipe. Tem um bom conjunto motriz, o mesmo câmbio da McLaren e o mesmo motor do time de Woking e da Brawn. O problema está na aerodinâmica do carro. Fisichella sai em 15º e Sutil, em 16º.

Toyota – Seu desempenho durante os treinos foi bom. Largaria bem se a FIA não houvesse descoberto uma irregularidade nas asas do carro da equipe, que seriam flexíveis demais. Punida, sai em 19º com Glock e em 20º com Trulli.

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E não era blefe…

classificacaoaustralia

Durante os dias que antecederam o GP da Austrália de Fórmula 1, diversas pessoas me perguntaram sobre o desempenho da Brawn GP. Longe de mim ser um oráculo ou um adivinho para saber se o desempenho da nova equipe do grid era real ou meramente um esforço para angariar patrocinadores. Minha resposta para tal pergunta era sempre a mesma. “Duvido que alguém blefe com tanta eficácia assim. Ela pode não ser esse foguete, mas dará trabalho”.

Pois então, o que vimos no primeiro treino de classificação da temporada 2009 de F-1 foi uma das raras vezes em que o desempenho demonstrado pelas equipes na pré-temporada se confirmou. Deixemos de lado a questão dos difusores de ar polêmicos: a Brawn sobrou na pista. Posso queimar a língua, mas tenho certeza de que o tal difusor não é responsável por 100% desse desempenho. O carro é bem nascido e numa temporada com tantas mudanças de regras, isso faz a diferença. Vide a Renault em 2005.

Soma-se a isso dois pilotos em busca de redenção. Jenson Button, no início dos anos 2000, era considerado um fenômeno. Uma sequência de Mundiais com carros ruins relegou o inglês à categoria das eternas promessas. A chegada de Lewis Hamilton foi, momentaneamente, a pá de de cal em cima da carreira de Button.

Rubens Barrichello, por sua vez, foi considerado por muitos um ex-piloto. Ressurgiu na categoria por meio de um voto de confiança de Ross Brawn, O Competente,  e está aí, mostrando que é rápido. E, como disse, pela primeira vez terá um carro competitivo em uma equipe sem uma hierarquia definida entre seus pilotos. Tem, pois, a chance para a qual lutou em toda sua carreira.

Mais do que o desempenho excepcional da Brawn, o mais importante foi ver que o Mundial 2009 tem tudo para privilegiar a competência em detrimento ao poder financeiro. Caso isso se confirme no decorrer da temporada, serei obrigado a parabenizar a FIA pelas medidas tomadas. A entidade pisa na bola frequentemente, mas, ao que parece, acertou dessa vez. É o que veremos.


Quem acelera aqui

Rodrigo Lara é jornalista e tem 24 anos. Viciado em esportes, curte especialmente aqueles que reúnem gasolina, velocidade e carros.

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