Arquivo para 5 de abril de 2009

É uma pena

Antes de mais nada, deixo claro que o título não se refere a nada específico que tenha ocorrido dentro da pista. Nesse quesito, o GP da Malásia foi fantástico e confirma essa nova fase da F-1.

A “pena”, a que me refiro é, mais uma vez, uma decisão extra-pista ter influído diretamente na disputa esportiva. A diferença, é que desta vez, essa decisão ocorreu antes da corrida. Podemos colocar o fato de a corrida ter terminado com um pouco mais de metade das voltas na conta da FOM, a parceira comercial da nossa FIAsco.

A partir do momento em que decide-se realizar uma corrida às 17h em um país equatorial, assume-se um risco. Esse risco pode ser traduzido pelo nome de “chuva”, o que, na melhor das hipóteses, atrasa o andamento da corrida.

Nesse horário, final de tarde, há uma margem de atraso praticamente nula. O resultado é o que vimos nesse início de domingo: uma corrida excepcional sendo impedida de prosseguir devido à decisão estúpida da FOM de privilegiar as televisões européias.

Na pista, o que vimos foi prova cheia de alternativas desde seu início, quando Jenson Button largou mal e foi ultrapassado por Rosberg, Trulli e Alonso, que de nono, chegoua  ficar em terceiro. Logo adiante, Button superou Alonso e saiu no encalço dos líderes.

A Renault do espanhol, por sua vez, se mostrava não ser páreo para os carros que vinham em seguida e foi sendo superado. Na ocasião, os quatro primeiros eram Rosberg, Trulli, Button e Barrichello.

Eis que chega a primeira rodada de pits e a corrida começa a mudar, com Button assumindo a liderança. O tempo fechava, mas as equipes iam calçando seus pilotos com pneus slicks.

Neste momento, algum gênio Ferrarista quis dar o pulo do gato e acabou caindo do telhado. Vendo o céu sobre o circuito de Sepang – que na ocasião lembrava um pouco as cenas finais do último filme “O Senhor dos Anéis” -, decidiu-se por colocar pneus de CHUVA EXTREMA no carro de Kimi Raikkonen. Faltou, entretanto, combinar com São Pedro. Cerca de quatro voltas após Kimi trocar pneus, a chuva realmente começou. Mas aí o finlandês já tinha destruído seus pneus e perdido diversas posições.

Quem realmente deu um pulo do gato foi Timo Glock e sua Toyota. Enquanto os demais pilotos optavam pelos pneus para chuva forte (Rubinho afirmou que havia pedido esse tipo de pneu, mas a equipe não o atendeu), o alemão colocou compostos intermediários. Resultado: foi, por uma sequência de voltas, cerca de 10s mais rápido que os adversários e chegou à terceira posição.

Conforme o clima ia piorando, as equipes se viram obrigadas a colocar pneus para chuva forte. Poucas voltas depois, a corrida era suspensa. Cena emblemática foi a Ferrari de Kimi Raikkonen, que parecia um barco andando pela pista malaia.

Com a bandeira vermelha, o procedimento seria esperar as condições da pista melhorarem para dar prosseguimento à corrida. Quando a pista começou a melhorar, 40 minutos após a paralisação, a iluminação natural já não era mais suficiente. Decidiu-se, então, por encerrar a prova e atribuir metade da pontuação tradicional aos primeiros 8 colocados. Com isso, Jenson Button mantém a liderança do campeonato, com uma vitória e meia.

Abaixo a classificação final do GP da Malásia, retirada do site Grande Prêmio.

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Equipe a equipe na classificação do GP da Malásia

Brawn GP – Se não apresentou um domínio acachapante como na Austrália, a pole de Button foi relativamente tranquila. Rubinho conseguiu um quarto lugar nos tempos, porém, por ter trocado a caixa de câmbio, largará em 8º, se beneficiando da punição que Vettel sofreu no GP passado.

Toyota – Após anos brigando no pelotão intermediário, o time japonês parece ter, finalmente, acertado a mão em um carro. Trulli sai em 2º e Glock, beneficiado pelas punições a Barrichello e Vettel, em 3º.

Williams – Falar que a equipe inglesa está devendo pode até soar como uma incoerência se vermos a posição de largada de Nico Rosberg, 4º colocado, e sua evolução de 2008 para cá. Se levarmos em conta, entretanto, o desempenho da equipe nos treinos livres, fica a sensação de que poderia ir além. Nakajima sai em 11º, o que prova que a condição da Williams de equipe de um piloto só.

Red Bull
– Vettel fez um belo treino. Sairia em 3º se a FIAsco não tivesse aprontado das suas após a disputa entre o alemão e Robert Kubica na Austrália. Com isso, Vettel sai em 13º. Webber, por sua vez, larga em 5º e, pelo visto, torce para não encontrar Barrichello nas primeiras curvas.

BMW – Kubica larga em 6º. Heidfeld, com Kers, em 10º. É culpa do equipamento ou do piloto? Fato é que, para uma equipe que desenvolve o carro desde o meio do ano passado, está devendo.

Ferrari – Merecia ter seus dois pilotos na rabeira do grid após o que fez. Ter considerado que uma volta medíocre “era suficiente” rendeu a 16ª posição à Felipe Massa. Já o desempenho mediano do carro rendeu o 7º lugar à Kimi Raikkonen. É pouco para uma equipe que tem um dos maiores orçamentos da categoria.

Renault – Alonso, doente, com febre, dor de ouvido etc, colocou essa carroça em na 9ª colocação. Baita piloto. Já Nelsinho…bem, Nelsinho estava pensando no GP da China. Não passou do Q1 e sai em 17º.

McLaren – Será boicotada nesse post depois da presepada das mentiras australianas.

Toro Rosso
– Dos Tiões, Bourdais sai em 15º. Faz o que pode com esse carro. Já Buemi rendeu um dos momentos mais engraçados do treino. Após começar uma volta muito boa, perdeu o controle e foi parar na brita. Fim de treino, última posição e duas cenas: a primeira, no diálogo com a equipe via rádio, o suiço quase chorou de raiva. Depois, nos boxes, mostrava uma revolta incomum. Pelo menos demonstra vontade.

Force India – Fisichella em 18º e Sutil em 19º. O carro, apesar de parecer relativamente estável, carece de velocidade. A equipe da terra do Apu pode se dar melhor na corrida. A ver.

Declarações infelizes

“Tive uma sensação estranha”. “Os freios ficaram loucos”. “Sou só um brasileirinho contra esse mundão todo”. Massa, Nelsinho e Barrichello são os autores das frases, respectivamente. Frases essas que conhecemos bem e, de certa maneira, marcaram a carreira desses pilotos.

A diferença entre os três foi a forma com que reagiram após os episódios. Massa reverteu a situação, passou a ser mais feliz em suas declarações e evoluiu como piloto. Nelsinho, por sua vez, não se encontra na Renault. É um piloto com qualidades, sem dúvidas: se não o fosse, não estaria na F-1. Carece, porém, de mais força mental para superar a constante pressão que o cerca.

Já Rubinho ficou marcado como o eterno segundo piloto durante sua carreira na Ferrari. Busca, em 2009, a redenção, o que pode acontecer por possuir um carro muito bom e não estar numa equipe que tem uma hierarquia definida.

Faço essa volta para chegar, finalmente, ao ponto: a declaração de Barrichello ao final do treino de classificação não condiz com o piloto maduro que ele é. Atribuir um desempenho do qual não gostou ao fato do “carro estar saindo muito de frente” demonstra que Rubinho, vez ou outra, ainda demonstra um complexo de inferioridade.

E vejam cá: não estou desconsiderando o fato do carro realmente apresentar esse comportamento. Mas sim na forma com que isso é encarado. Se o Rubinho tivesse afirmado que “estamos com dificuldades para acertar o carro”, não haveria qualquer problema. Mostraria humildade e trabalho em equipe.

Não à toa, Felipe Massa sempre faz as afirmações na primeira pessoa do plural. Correto ele: na F-1, trabalha-se em equipe. Se um erra, todos erram. E caso Rubinho queira brigar pelo título, terá que agir dessa maneira, trazendo a equipe para o seu lado e dividindo as conquistas e as frustrações.


Quem acelera aqui

Rodrigo Lara é jornalista e tem 24 anos. Viciado em esportes, curte especialmente aqueles que reúnem gasolina, velocidade e carros.

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