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Webber, 130

Nurburgring já foi a corrida mais temida da F-1. O inferno verde do Nordschleife, com seus poucos mais de 20 km, foi um dos primeiros circuitos tradicionais da categoria a ser mutilado e “modernizado”, tudo em prol da segurança. O traçado utilizado atualmente, ao sul do antigo, foi palco da primeira vitória de Mark Webber na F-1, após 130 GPs do piloto. Também marcou a primeira vez que ouvi o hino australiano em todos esses anos que eu acompanho a categoria.

O “debut” de Webber por pouco não ocorre. Na largada, Rubens Barrichello, segundo colocado, arrancou bem e emparelhou com o australiano, pole. Numa manobra desastrada, ele acertou Rubinho e, por pouco, não pega Hamilton, que surgiu sei-lá-da-onde.

Permitam-me uma observação. O inglês foi um caso curioso na corrida: assumiu a ponta por breves metros após a largada, espalhou na primeira curva, furou um pneu, ficou adquirindo quilometragem na pista e viu chuva onde não existia. Fim da observação.

Mesmo atingido por Webber, Rubens assumiu a ponta. Cumpria-se assim a primeira parte da sua estratégia. Difícil mesmo era cumprir a segunda: abrir distância de um constante Webber. Uma ajudinha foi dada com a punição ao piloto da Red Bull, que teve que fazer um drive through nos pits pelo zigue-zague na largada.

A sorte de Rubens, contudo, terminou aí. A Brawn teve sérios problemas com o rendimento dos pneus, em especial ao usar os compostos mais moles. Desta forma, mesmo com um carro mais leve, não era possível abrir distância dos demais pilotos, algo que fundamental para sustentar a estratpegias de 3 paradas da equipe. Para piorar, depois do primeiro pit o brasileiro voltou atrás de Felipe Massa, que vinha fazendo uma corridaça. Segurado pelo ritmo inferior da Ferrari, Rubinho viu sua corrida começar a ir pro vinagre: Webber não só havia descontado o tempo perdido com a punição, como também abria vantagem.

A segunda tragédia do final de semana de Rubens aconteceu no seu segundo pit. Um defeito na mangueira de combustível – aparentemente no bocal do equipamento – custou cerca de quatro segundos ao brasileiro. Era o suficiente para seu companheiro e líder do campeonato, Jenson Button, se aproximar. Enquanto isso, Webber liderava tranquilo, seguido por Vettel.

A tragédia Barrichelliana teve seu ápice no terceiro pit-stop. Rubens foi chamado para os boxes antes de Button. No GP das novidades, vimos a primeira troca de posições clara na Brawn. Dado o salto de desempenho da Red Bull, uma ordem justa na busca pelo campeonato. E um enorme financiamento para debates esportivos durante a semana.

Após um trecho final bastante calmo e uma comemoração pra lá de exaltada, Webber finalmente soube como é beber champagne no alto do pódio. Mais uma vez a Red Bull apresenta um desempenho para lá de convincente. O suficiente, pelo menos, para a turma de Brackley ligar o sinal amarelo.

Abaixo, a tabela de tempos. Créditos ao Grande Prêmio.

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Vettel quebra sequência de Button. É suficiente?

A vitória do alemão Sebastian Vettel (a.k.a. futuro melhor piloto do mundo) em Silverstone deu uma nova esperança aqueles que não gostariam de ver o título do Mundial 2009 sendo decidido com uma desagradável e grande antecedência. Na Inglaterra, o jovem simplesmente esmagou a concorrência e levou sua segunda vitória para casa. Completaram o pódio Mark Webber – que, até o momento vive a melhor temporada de sua carreira – e Rubens Barrichello, que pela primeira vez em 2009 chegou à frente de Jenson Button.

A corrida em si foi um tanto monótona, principalmente se considerarmos a disputa entre os ponteiros. Com poucas voltas, Vettel já abrira uma dezena de segundos para os adversários. Enquanto isso, Webber, com um carro mais rápido e com mais gasolina que Rubens, ultrapassou o brasileiro na primeira janela de pit stops, o que era previsível.

Destaque mesmo vai para as brigas entre Alonso, Hamilton e Piquet (que, pela primeira vez no ano terminou uma corrida na frente do companheiro de equipe) e para a corrida de Felipe Massa. O brasileiro largou em 11º e, com um ritmo constante e rápido durante a prova, fechou a corrida em 4º.

Respondendo à pergunta que deixei no título: não. Apesar da vitória e de um resultado ruim de Button, Vettel ainda não pode ser considerado como uma ameaça ao (provável) título do inglês. Mesmo com um RB5 mais competitivo, as Brawn ainda figuram como os carros da temporada: mesmo quando não rendem tão bem, são confiáveis o suficiente para garantir pontos aos seus pilotos. Nessa situação, é improvável que o título não fique em Brackley.

Abaixo a classificação final da corrida, retirada do Grande Prêmio. E no próximo post finalmente comentarei a razão da minha economia de palavras sobre F-1 por aqui nos últimos tempos: a briga política entre Fota e Fia.

classificacao_inglaterra

Teorias Barrichellanas

Teoricamente eu já teria ganho pelo menos três das seis corridas que ele [Button] ganhou. Mas toda a minha explicação é olhada no Brasil como uma desculpa. Isso não vejo em nenhum outro lugar onde dou entrevista.

Dissertem nos comentários.

Button, na Turquia

Está ficando chato. O Mundial 2009 está com a cara daqueles conquistados com antecedência por Michael Schumacher. Button venceu mais uma vez. E não só isso: venceu com a costumeira superioridade absurda e absoluta.  Completaram o top 3 Webber e Vettel.

Nem dá muita vontade de escrever sobre uma corrida como a realizada em Istambul. As emoções foram reservadas para a largada, quando Barrichello literalmente empacou no grid e deu muita sorte de não ser atingido por nenhum carro,  para o erro de Vettel nas primeiras voltas, o que lhe custou o primeiro lugar, e para a ultrapassagem de Nelsinho sobre Hamilton, que, no final das contas, pouco adiantou.

Passados esses momentos, restava a tentativa tresloucada de Barrichello para recuperar posições e uma mudança de estratégia da Red Bull, que fez com que Vettel realizasse três pit stops, na impossível missão de superar Button. Não só não conseguiu como o alemão ainda foi superado pelo companheiro de equipe, Mark Webber. O resto do grid seguia numa procissão imutável.

Sobre Rubens, li um comentário por aí muito verdadeiro. Se fosse em Interlagos, ele protagonizaria a primeira anti-largada do automobilismo mundial, já que o grid do circuito brasileiro fica em uma subida. Problemas com a embreagem ou não, abandono quando ia levar uma volta de Button ou, oficialmente, por problemas no câmbio, tanto faz: só um milagre coloca o brasileiro na disputa pelo título. Milagre como os que Barrichello costuma acreditar, ao falar que espera um “tropeço” de Button para reagir.

Senta e espera, meu caro.

Abaixo a folha de resultados. Créditos ao Grande Prêmio.

Fantástico

Uma das melhores coisas que alguém pode fazer durante uma corrida é controlar uma saída de traseira. Talvez por isso eu goste tanto de correr de kart na chuva. A sensação de controle, a adrenalina, o espetáculo visual…todos esses elementos surgem ao mesmo tempo e tornam qualquer pilotagem mais prazerosa.

Dito isso, coloco aqui um vídeo feito pela Subaru, que reuniu um carro forte, um doido ao volante e um porto para fazer alguns dos takes mais sensacionais dos últimos tempos.

Degustem.

O caso Barrichello

Após ficar um pouco de lado na mídia, Rubens Barrichello voltou a aparecer esse ano. Com carro competitivo, Rubinho voltou a andar entre os primeiros colocados e, consequentemente, a atrair mais atenção para si.

Sabemos que isso, no caso dele, não é bom. Célebre por declarações como “não sou segundo piloto, apenas o 1B”, ou então “sou só um brasileirinho contra esse mundão todo”, Rubinho, por muitas vezes, foi motivo de piada. Era constantemente representado em programas humorísticos e boa parte dos fãs brasileiros de F-1 ridicularizavam o piloto com frequência.

Fato é que Rubens Barrichello precisa ficar calado. A exposição na mídia não faz bem algum para ele, que não resiste em prometer coisas que, muitas vezes, não consegue cumprir. Após Mônaco, teve uma rara atitude sensata: elogiou Button, dizendo algo como “o cara está pilotando muito e tudo que tenho a fazer é dar meu melhor e esperar um vacilo dele”.

Caso tivesse essa postura nos anos de Ferrari, Rubinho não teria sido ridicularizado. Caso não tivesse assinado um contrato com cláusulas de preferência, o que parece ter sido o caso, não teria que se submeter às ordens de equipe. E, por conseqüência, se assinou, não deveria reclamar.

Fato é que Rubens precisa entender que não é necessário provar nada pra ninguém nessa vida. O cara está na F-1 há 15 anos, ganha muito para fazer o que gosta e tem a oportunidade de viajar o mundo todo. Pra quê forçar a barra?

Guardadas as devidas proporções, tenho a minha vida de piloto. No início, é difícil compreender que há pessoas muito melhores naquela competição do que você. A questão é saber como encarar isso. Há duas opções.

A primeira é encarar com resignação, reconhecer a habilidade do adversário e treinar, treinar e treinar mais um pouco para, quem sabe, conseguir enfrentá-lo. Escolhi esse caminho, principalmente porque prezo a constante evolução e sei que cada ser humano tem as suas limitações.

A segunda opção, e a que parece ter sido escolhida (conscientemente ou não) por Rubens nos últimos anos, é mais dolorosa. É dar murro na ponta da faca, encarar derrotas com amargura e responsabilizar problemas e percalços pelo fracasso.

Confirmada essa mudança de atitude, ainda que tardia, Rubens poderá evoluir. Não é um mau piloto, pelo contrário. Acerta carros como poucos, é constante (maldosos dirão “constantemente segundo”), possui vasta experiência e é bom na chuva. Fez escolhas erradas na carreira, falou muita bobagem e colheu o que plantou. Dificilmente deixará de ser conhecido por Segundinho Barrichello ou “1B”. Tampouco deixará de aniversariar no Dia da Tartaruga ou deixará de ser considerado um “estelionatário esportivo” por alguns, devido aos golpes na confiança da torcida. Mas nunca é tarde para recomeçar. Basta querer.

Barrichello, sensacional!

buttonmonacoEm uma corrida cerebral, Rubens Barrichello foi o responsável por se dar o melhor presente que poderia ganhar neste domingo em que completou 37 anos. Mesmo pressionado por Kimi Raikkonen no primeiro stint da prova, Rubinho superou o desequilíbrio provocado pelos pneus supermacios e conquistou um sensacional segundo lugar em Monte Carlo, lavando a alma e livrando-se do estigma de aniversariar no Dia da Tartaruga. Com o resultado, Barrichello vai a 35 pontos e mantém um confortável segundo lugar no campeonato.

Ofuscado pelo desempenho do companheiro de equipe, Jenson Button foi apenas o primeiro colocado da prova, posição que ocupou pela primeira vez na carreira em corridas monegascas. Essa classificação foi resultado de uma atuação burocrática e apagada, na qual o inglês correu isolado da maioria dos pilotos. Após o GP de Mônaco, Jenson foi a 51 pontos, o que fez crescer os rumores de favorecimento dentro da Brawn. Segundo as más-línguas, o brasileiro tem sido constantemente beneficiado para conseguir o segundo posto, o que chegou a irritar Button após a corrida de Barcelona. Na foto acima, é possível ver a cara de insatisfação do inglês.

Na sequência vieram as duas Ferraris. Um Kimi Raikkonen acordado e um Felipe Massa combativo garantiram o melhor resultado dos italianos nessa temporada. Mostraram uma grande evolução na equipe que, mantendo esse ritmo, deve ser uma das forças na Turquia. Seria interessante ver os carros vermelhos brigando diretamente com as Brawn.

Fecharam os oito primeiros Mark Webber, Nico Rosberg, Fernando Alonso e um surpreendente Sebastien Bourdais. Falando em Toro Rosso, o companheiro de Bourdais, Buemi, foi o responsável pela cena pastelão do domingo. O suíço calculou mal uma freada e atropelou a Renault de Nelsinho Piquet, tirando os dois da corrida.

Já na turma do fundão, à exceção de um Hamilton tentando andar mais que o carro, a corrida foi tranquila. A se estranhar apenas a presença das Toyotas, que parecem ter perdido um pouco de fôlego nas últimas duas corridas.

Confira abaixo o resultado, retirado do Grande Prêmio.


Quem acelera aqui

Rodrigo Lara é jornalista e tem 24 anos. Viciado em esportes, curte especialmente aqueles que reúnem gasolina, velocidade e carros.

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