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Fogo no campeonato

Sem difusores especiais ou Kers, a Red Bull mostrou que está forte. Tem um carro bom, um piloto fenomenal e outro que, com um carro bom nas mãos, não compromete. Não é um time sisudo, pelo contrário. E faturou hoje sua primeira vitória, numa corrida dominada com autoridade.

Vettel não teve sua liderança ameaçada em nenhum momento. Dadas as condições meteorológicas, o GP da China pode ser considerado uma das corridas chuvosas mais chatas dos últimos tempos.

As principais ameaças para a Red Bull eram os carros da Brawn. Mas estes tiveram uma atuação discreta, principalmente no caso de Barrichello, sabidamente bom de chuva. Rubinho errou no início, deixou Button passar e, daí em diante, teve uma corrida apagada. Nada ideal para quem precisa mostrar resultados dentro da equipe.

Engraçado mesmo era ver Hamilton. Alternava momentos de genialidade com engrossadas dignas de principiante. Terminou atrás do companheiro que, se não teve momentos geniais, pelo menos não cometeu erros.

A Ferrari. Bem, a Ferrari, quando não erra na estratégia, mostra que tem um carro risível. Massa vinha bem, até seu motor apagar. Kimi, por sua vez, fez o que pode. O carro que não ajuda mesmo.

Similar à decepção ferrarista é Nelson Ângelo Piquet. O cara não se acerta, simplesmente. Chega ao ponto de dar dó ver que, dificilmente, ele terá forças para reagir. Uma pena mesmo.

Abaixo a folha de resultados, retirada do Grande Prêmio.

McLiar (quase) ressurge

O que vimos no primeiro treino livre para o GP da China de F-1 foi um esboço de reação da turma de Woking. Esboço porque, no segundo treino livre, as mentiras flechas de prata voltaram a ocupar posições modestas no grid, mantendo-se a ordem que vimos nos dois primeiros GPs da temporada. Ou seja: Brawn GP na frente, com Button.

Essa semana foi agitada na F-1. Guerras de declarações, FIAsco liberando geral os tais difusores, chororôs e por aí vai. Fato é que, nos primeiros treinos livres, o que vimos em Xangai (além das arquibancadas vazias) foi os pilotos sofrendo para ficar na pista. O autódromo chinês é um verdadeiro teste para o equilíbrio dos carros, o que, junto ao comportamento mais arisco dos modelos desse ano, se torna um grande desafio aos pilotos.

Quem continua decepcionando é a Ferrari. Resolveu abandonar o Kers e agora tem um carro desequilibrado e sem a potência extra na reta. Sinal vermelho para a turma de Maranello. Será que Kimi Raikkonen experimentará picolés em todas as corridas da temporada? A se ver.

Outro problema, pelo menos para nós brasileiros, é o horário pornográfico da corrida. 4 da manhã é de lascar. Difícil decidir entre se manter acordado ou acordar na madrugada. Ano retrasado eu sempre escolhia acordar na madruga. O resultado foi eu ter perdido a corrida da China e a do Japão. Ou seja: somente as melhores do campeonato.

Button, de novo

button_malasia1
Quem, ao final do ano passado, acreditaria na seguinte afirmação: “no segundo GP da temporada, Jenson Button terá duas poles e Lewis Hamilton estará com um carro ruim e com a fama de mentiroso”? Ninguém, acredito eu.

Pois é o que acontece. Sem qualquer problema, dificuldade ou susto, Button colocou, novamente, sua Brawn na posição de honra do grid. As Toyotas, com Trulli e Glock 9mm e a Williams de Rosberg completam as duas primeiras filas. Se o resultado já era esperado, o mesmo não é possível de dizer de alguns fatos ocorridos no treino de classificação.

O mais absurdo aconteceu com a Ferrari. No Q1, Massa e Raikkonen saíram dos boxes, deram minguadas voltas e recolheram seus carros. A explicação, dada pelo brasileiro, foi de que ele e a equipe (como é de praxe, nestes casos, ele utilizar a primeira pessoa do plural) acharam que a volta era suficiente para ficarem entre os 15 melhores e passarem ao Q2.

Não foi o que ocorreu e Massa larga em 16º. E o prejuízo da equipe poderia ser ainda maior, visto que Kimi também adotou a mesma “estratégia”. No final, o finlandês larga em um discreto, porém não-desastroso, 7º lugar.

A equipe mentirosa McLaren também não passa por bons momentos. Talvez uma pequena diferença nessa classificação tenha sido a proximidade com que Kovalainen ficou de Hamilton. Não que isso importe para quem vai largar em 14º e 12º, respectivamente.

Por fim, Nelsinho fez um treino ruim, larga em 17º e diz que já está pensando na corrida da China. Se continuar assim, é bom ele já ir pensando o que fazer após ser demitido da Renault. Apenas a título de comparação: Alonso, com febre, infecção e o c****** a quatro, sai em 9º.

E Barrichello? Rubinho classificou em 4º, mas com a punição pela troca do câmbio e sendo beneficiado pelo também punido Vettel (que sai em 13º), sai em 8º. Tem um rojão nas mãos e um pódio, no mínimo, não me surpreenderia. Escrevo mais sobre ele daqui a pouco.

Abaixo, a tabela de largada provisória (afinal, a FIAsco está aí para canetar) do GP da Malásia. Créditos dados devidamente ao site Grande Prêmio.

A F-1 precisava disso

podio2Pouco importa se Brawn GP, Toyota e Williams estão fora do regulamento ou não. Fato é que a categoria máxima do automobilismo mundial precisava desse ar novo proporcionado pela mudança de regulamento. Regras essas que, embora muito criticadas, mostraram seu valor na primeira etapa do Mundial 2009. Ao meu ver, isso ocorreu por dois motivos principais: carros andando mais próximos e valorização da competência técnica em detrimento ao poder financeiro. Como escrevi abaixo: pela primeira vez em anos a FIA acertou em algo.

Jenson Button venceu com propriedade, de ponta a ponta e sem dificuldades. O único adversário à altura do inglês, Barrichello fez uma largada desastrosa – ficou praticamente parado no grid – e, em seguida, se envolveu num toque com Webber, o que danificou o spoiler dianteiro de sua Brawn. O brasileiro fez uma ótima corrida de recuperação e, no final, contou com os hormônios em ebulição de Vettel e Kubica. O polonês, com pneus duros e mais inteiros que os do alemão, tentou uma ultrapassem espírita. Vettel, por sua vez, defendeu a sua posição de maneira desastrada. Resultado: o 2º e 3º colocado deram adeus à disputa a poucas voltas do final. Barrichello, então 4º colocado, herdou a segunda posição. Talvez o primeiro lance de sorte na longa carreira do brasileiro.

Outro destaque positivo foi o desempenho das Toyotas, que largaram do box e terminaram na 3ª e 5ª posição, com Trulli e Glock, respectivamente. Já a Williams decepcionou, Rosberg perdeu muito rendimento no final, terminando em um insosso sétimo lugar. Nakajima honrou o DNA e encontrou o muro na 18ª volta.

As Ferraris foram meras coadjuvantes na corrida, com ambos os carros abandonando a prova. Massa, aparentemente com um problema mecânico, e Kimi, após rodar, vão embora de Melbourne com um gosto amargo. Ainda mais depois de ver a McLaren, sua rival dos últimos anos, terminar a prova com um surpreendente 4º lugar de Hamilton. Interessante foi ver os momentos nos quais a transmissão mostrava a câmera on board do carro do inglês. O carro prateado está realmente instável.

A Force India, mais especificamente com Fisichella, rendeu a cena cômica do dia: ao tentar parar no box, o italiano simplesmente errou o local da parada. Mais ridículo que isso, só o desempenho do ciclista Mark Webber. Ainda acho que a Red Bull deveria ter convencido o David Coulthard a continuar correndo e o australiano a se aposentar. Tá certo que DC desencanava da corrida na segunda volta. Mas, pelo menos, não passava pela humilhação que Webber passou hoje. Renault e Toro Rosso não merecem citação – fizeram corridas melancólicas, quase dramáticas.

Abaixo, o resultado final da primeira etapa do Mundial 2009 de Fórmula 1. Tabela gentilmente emprestada do Grande Prêmio.

resultado_australia

E não era blefe…

classificacaoaustralia

Durante os dias que antecederam o GP da Austrália de Fórmula 1, diversas pessoas me perguntaram sobre o desempenho da Brawn GP. Longe de mim ser um oráculo ou um adivinho para saber se o desempenho da nova equipe do grid era real ou meramente um esforço para angariar patrocinadores. Minha resposta para tal pergunta era sempre a mesma. “Duvido que alguém blefe com tanta eficácia assim. Ela pode não ser esse foguete, mas dará trabalho”.

Pois então, o que vimos no primeiro treino de classificação da temporada 2009 de F-1 foi uma das raras vezes em que o desempenho demonstrado pelas equipes na pré-temporada se confirmou. Deixemos de lado a questão dos difusores de ar polêmicos: a Brawn sobrou na pista. Posso queimar a língua, mas tenho certeza de que o tal difusor não é responsável por 100% desse desempenho. O carro é bem nascido e numa temporada com tantas mudanças de regras, isso faz a diferença. Vide a Renault em 2005.

Soma-se a isso dois pilotos em busca de redenção. Jenson Button, no início dos anos 2000, era considerado um fenômeno. Uma sequência de Mundiais com carros ruins relegou o inglês à categoria das eternas promessas. A chegada de Lewis Hamilton foi, momentaneamente, a pá de de cal em cima da carreira de Button.

Rubens Barrichello, por sua vez, foi considerado por muitos um ex-piloto. Ressurgiu na categoria por meio de um voto de confiança de Ross Brawn, O Competente,  e está aí, mostrando que é rápido. E, como disse, pela primeira vez terá um carro competitivo em uma equipe sem uma hierarquia definida entre seus pilotos. Tem, pois, a chance para a qual lutou em toda sua carreira.

Mais do que o desempenho excepcional da Brawn, o mais importante foi ver que o Mundial 2009 tem tudo para privilegiar a competência em detrimento ao poder financeiro. Caso isso se confirme no decorrer da temporada, serei obrigado a parabenizar a FIA pelas medidas tomadas. A entidade pisa na bola frequentemente, mas, ao que parece, acertou dessa vez. É o que veremos.


Quem acelera aqui

Rodrigo Lara é jornalista e tem 24 anos. Viciado em esportes, curte especialmente aqueles que reúnem gasolina, velocidade e carros.

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