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Button, na Turquia

Está ficando chato. O Mundial 2009 está com a cara daqueles conquistados com antecedência por Michael Schumacher. Button venceu mais uma vez. E não só isso: venceu com a costumeira superioridade absurda e absoluta.  Completaram o top 3 Webber e Vettel.

Nem dá muita vontade de escrever sobre uma corrida como a realizada em Istambul. As emoções foram reservadas para a largada, quando Barrichello literalmente empacou no grid e deu muita sorte de não ser atingido por nenhum carro,  para o erro de Vettel nas primeiras voltas, o que lhe custou o primeiro lugar, e para a ultrapassagem de Nelsinho sobre Hamilton, que, no final das contas, pouco adiantou.

Passados esses momentos, restava a tentativa tresloucada de Barrichello para recuperar posições e uma mudança de estratégia da Red Bull, que fez com que Vettel realizasse três pit stops, na impossível missão de superar Button. Não só não conseguiu como o alemão ainda foi superado pelo companheiro de equipe, Mark Webber. O resto do grid seguia numa procissão imutável.

Sobre Rubens, li um comentário por aí muito verdadeiro. Se fosse em Interlagos, ele protagonizaria a primeira anti-largada do automobilismo mundial, já que o grid do circuito brasileiro fica em uma subida. Problemas com a embreagem ou não, abandono quando ia levar uma volta de Button ou, oficialmente, por problemas no câmbio, tanto faz: só um milagre coloca o brasileiro na disputa pelo título. Milagre como os que Barrichello costuma acreditar, ao falar que espera um “tropeço” de Button para reagir.

Senta e espera, meu caro.

Abaixo a folha de resultados. Créditos ao Grande Prêmio.

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Fogo no campeonato

Sem difusores especiais ou Kers, a Red Bull mostrou que está forte. Tem um carro bom, um piloto fenomenal e outro que, com um carro bom nas mãos, não compromete. Não é um time sisudo, pelo contrário. E faturou hoje sua primeira vitória, numa corrida dominada com autoridade.

Vettel não teve sua liderança ameaçada em nenhum momento. Dadas as condições meteorológicas, o GP da China pode ser considerado uma das corridas chuvosas mais chatas dos últimos tempos.

As principais ameaças para a Red Bull eram os carros da Brawn. Mas estes tiveram uma atuação discreta, principalmente no caso de Barrichello, sabidamente bom de chuva. Rubinho errou no início, deixou Button passar e, daí em diante, teve uma corrida apagada. Nada ideal para quem precisa mostrar resultados dentro da equipe.

Engraçado mesmo era ver Hamilton. Alternava momentos de genialidade com engrossadas dignas de principiante. Terminou atrás do companheiro que, se não teve momentos geniais, pelo menos não cometeu erros.

A Ferrari. Bem, a Ferrari, quando não erra na estratégia, mostra que tem um carro risível. Massa vinha bem, até seu motor apagar. Kimi, por sua vez, fez o que pode. O carro que não ajuda mesmo.

Similar à decepção ferrarista é Nelson Ângelo Piquet. O cara não se acerta, simplesmente. Chega ao ponto de dar dó ver que, dificilmente, ele terá forças para reagir. Uma pena mesmo.

Abaixo a folha de resultados, retirada do Grande Prêmio.

O preço da mentira

Mentir faz parte do convívio social, para o bem ou para o mal, não sejamos hipócritas. O grande problema é ser pego em uma das piores mentiras, aquelas que prejudicam os outros.

Lewis Hamilton tem 24 anos. É o campeão mais jovem da história da F1 e venerado na Inglaterra. Tem muitos anos de Fórmula 1 pela frente e tem talento de sobra para ser competitivo por diversos Mundiais.

O grande erro é achar que alguém, com esse currículo bastante positivo, não tenha falhas. Mentiu aos comissários do GP da Austrália ao alegar que não cedeu o lugar ao italiano Jarno Trulli. A nossa entidade esportiva preferida, a FIAsco, embarcou na história de Hamilton sem checar as devidas evidências, o que causou uma punição ao bravo italiano, que até então havia feito uma das melhores corridas de sua vida.

Eis que surge na internet um vídeo do ocorrido. Justamente na internet, vejam só, um dos alvos preferidos da parceira da nossa entidade, a FOM. E a FIAsco decide voltar atrás, “despunir” Trulli e aplicar uma sanção a Hamilton.

Este, por sua vez, em uma entrevista coletiva e, segundo os presentes, extremamente desconfortável (como podemos ver na imagem acima, retirada do Tazio), assume o “migué”. Diz que foi orientado a mentir por um funcionário da McLaren, o diretor esportivo Dave Ryan e assim o fez. Ryan foi suspenso pela McLaren.

Nessa hora, me pergunto: qual o grau de autenticidade de um piloto de ponta na categoria? O que vemos hoje, salvo raras exceções, são marionetes fazendo o que o chefe manda. Este episódio feio envolvendo a McLaren (mais um, após o caso de espionagem), se não mancha a carreira de Lewis, coloca pelo menos um borrão no histórico do piloto.

E para a equipe, ao meu ver, essa mentira tem um peso muito maior do que o fatídico episódio do GP da Áustria de 2002, que envolveu a Ferrari e todos nós conhecemos. Se aquele momento lesou a esportividade da categoria, o atual põe em xeque a ética da equipe britânica. E prova que teorias conspiratórias podem, sim, ter um fundo de verdade. Para deleite daqueles que afirmaram: “tem dedo da McLaren nessa história”.

Hamilton, Trulli, McLaren e a Fórmula 1 seguem suas histórias. Mas que enche o saco esse monte de decisão extra-pista, ah, isso enche.

“Despunição”

fiasco1

Sim, a FIA é mais atrapalhada do que imaginávamos. Após ouvir o áudio da conversa que Lewis Hamilton teve com a sua equipe durante a entrada do último Safety Car na pista de Albert Park, a entidade decidiu desretirar devolver a posição de Trulli e simplesmente desclassificar Lewis e a McLaren (redundância, afinal só tinha um carro da equipe na pista) do GP da Austrália.

A decisão foi baseada no argumento de “conduta dúbia” de Hamilton e equipe. Essa conduta, segundo a entidade, ocorreu no depoimento do piloto aos comissários de bordo da corrida, no qual Miltão negou ter devolvido a posição à Trulli.

Desta maneira, a classificação até o momento final do GP da Austrália fica assim, ó:

1°. Jenson Button (ING/Brawn), 1h34min15s784 ( 58 voltas )
2°. Rubens Barrichello (BRA/Brawn), a 0s807
3°. Jarno Trulli (ITA/Toyota), a 1s604
4°. Timo Glock (ALE/Toyota), a 4s435
5°. Fernando Alonso (ESP/Renault), a 4s879
6°. Nico Rosberg (ALE/Williams), a 5s722
7°. Sébastien Buemi (SUI/Toro Rosso), a 6s004
8°. Sébastien Bourdais (FRA/Toro Rosso), a 6s298
9°. Adrian Sutil (ALE/Force India), a 6s335
10°. Nick Heidfeld (ALE/BMW) a 7s085
11°. Giancarlo Fisichella (ITA/Force India), a 7s374
12°. Mark Webber (AUS/Red Bull), a 1 volta
13°. Sebastian Vettel (ALE/Red Bull), a 2 voltas
14°. Robert Kubica (POL/BMW), a 3 voltas
15°. Kimi Raikkonen (FIN/Ferrari), a 3 voltas

A dúvida que fica, no momento, é se Lewis e cia. tentaram dar “um migué” pra cima dos comissários ou se tudo não passou de um sonho mal-entendido. Os interessados em lerem a transcrição oficial do diálogo entre Lewis e a turma da McLaren podem clicar aqui.

ps: post repleto de canetadas em homenagem à entidade máxima do automobilismo mundial.

E não era blefe…

classificacaoaustralia

Durante os dias que antecederam o GP da Austrália de Fórmula 1, diversas pessoas me perguntaram sobre o desempenho da Brawn GP. Longe de mim ser um oráculo ou um adivinho para saber se o desempenho da nova equipe do grid era real ou meramente um esforço para angariar patrocinadores. Minha resposta para tal pergunta era sempre a mesma. “Duvido que alguém blefe com tanta eficácia assim. Ela pode não ser esse foguete, mas dará trabalho”.

Pois então, o que vimos no primeiro treino de classificação da temporada 2009 de F-1 foi uma das raras vezes em que o desempenho demonstrado pelas equipes na pré-temporada se confirmou. Deixemos de lado a questão dos difusores de ar polêmicos: a Brawn sobrou na pista. Posso queimar a língua, mas tenho certeza de que o tal difusor não é responsável por 100% desse desempenho. O carro é bem nascido e numa temporada com tantas mudanças de regras, isso faz a diferença. Vide a Renault em 2005.

Soma-se a isso dois pilotos em busca de redenção. Jenson Button, no início dos anos 2000, era considerado um fenômeno. Uma sequência de Mundiais com carros ruins relegou o inglês à categoria das eternas promessas. A chegada de Lewis Hamilton foi, momentaneamente, a pá de de cal em cima da carreira de Button.

Rubens Barrichello, por sua vez, foi considerado por muitos um ex-piloto. Ressurgiu na categoria por meio de um voto de confiança de Ross Brawn, O Competente,  e está aí, mostrando que é rápido. E, como disse, pela primeira vez terá um carro competitivo em uma equipe sem uma hierarquia definida entre seus pilotos. Tem, pois, a chance para a qual lutou em toda sua carreira.

Mais do que o desempenho excepcional da Brawn, o mais importante foi ver que o Mundial 2009 tem tudo para privilegiar a competência em detrimento ao poder financeiro. Caso isso se confirme no decorrer da temporada, serei obrigado a parabenizar a FIA pelas medidas tomadas. A entidade pisa na bola frequentemente, mas, ao que parece, acertou dessa vez. É o que veremos.

Fecham-se as cortinas

Dramático é pouco para descrever o desfecho da temporada 2008 do Mundial de Fórmula 1. A alternância das condições de pista nos proporcionou um espetáculo ímpar e um final que transformou a obviedade em surpresa. Falo isso porque, chegado no Brasil, o Mundial mostrava um talentoso piloto que guiava o carro mais confiável da temporada e carregava consigo uma vantagem confortável para o segundo colocado do campeonato. Mesmo estando visivelmente pressionado, Lewis tinha a faca, o queijo e o título nas mãos. Esse era o óbvio.

Contra ele, Felipe e sua Ferrari. Carro que, de tão bem projetado, chegou ao ponto de ter como fraqueza o fato de ser equilibrado demais e não desgastar os pneus de forma a aquecê-los propriamente. Felipe e sua equipe que, ao contrário da de seu concorrente, falhou por diversas vezes durante o ano. Falhas essas que custaram preciosos pontos ao brasileiro.

Nesse cenário e nessa São Paulo que conhecemos, a corrida já prometia. A possibilidade de chuva se concretizou antes da largada. A corrida seguia, sem emoções pontuais – Massa disparou na frente, fez o que lhe cabia, enquanto Hamilton fez um arroz com feijão requentado que lhe daria o título. Até aí nada demais.

Falando em Hamilton, me permito fazer um comentário. Fugir de suas características quase custa o título ao inglês. Sabidamente um piloto arrojado, agressivo, Hamilton deixa claro que não sabe correr por pontos apenas. Quase deixou o título – praticamente certo – escorregar entre seus dedos por duas vezes. Assim como quase rodou, por diversas vezes, na Curva do Sol.

Eis que nas últimas voltas a chuva vem. E Massa vê a realização do seu sonho em forma de gotas que caem do céu. Vettel, um piloto que merece um carro vencedor (mas não um carro muito bom, senão corremos o risco de novamente ver anos de domínio de um só piloto), põe Hamilton no bolso com uma facilidade incrível. Lewis era sexto, cenário que daria o título para Felipe. Surge então a surpresa branca e vermelha, com os pneus desgastados, à frente de Vettel e Hamilton na Junção.

O resto, bem, o resto nós sabemos. O resultado voltou ao óbvio.

De contestável, nesta temporada, não houve nada. A regularidade manda no atual formato de pontuação. A pontuação, sempre ela, na frieza dos números, é o que decide quem sai campeão. Feita esta consideração, nada mais normal que o piloto de uma equipe que foi extremamente regular na temporada sair campeão.

Parabéns ao Massa, um exemplo de superação. Que, passadas duas corridas no início do ano, aprendeu a jogar de acordo com as regras: ganhando quando podia, pontuando quando deveria. Parabéns ao Hamilton, que brigou contra o instinto e contra a pressão e se sagrou campeão.

A decepção foi grande. Acredito, contudo, que não tenha sido a pior do ano. Este título eu reservo para o que ocorreu na Hungria, quando Felipe quase destruiu aquele ditado que crava “corrida não se ganha na largada”.

Por fim, uma última consideração: foi um campeonato maravilhoso, principalmente pelo caráter extremamente humano dos postulantes ao título. Enquanto uns falam que o nível se ajustou por baixo, eu prefiro ver os erros como um indicativo de que o fator humano voltou a ter importância na Fórmula 1.

Qual a vantagem?

Acredito que Felipe provavelmente vencerá a corrida. E, se eu fosse Lewis, evitaria ficar por perto dele. Caso Felipe se aproximasse, eu o deixaria passar.

Após as palavras de Eddie Jordan, mais um “ex” surge para dar um pitaco sobre a decisão do título: Juan Pablo Montoya. E, surpreendentemente, ele também alerta Hamilton sobre a possibilidade de haver um toque entre ele e Massa.

Não entrarei no mérito de discutir a seriedade dos comentários. Apenas acredito que Felipe tem muito mais a perder caso resolva jogar sujo. Em um encontro na pista, nas proporções que vêm sendo faladas, seria fim de prova pros dois. E, com os dois fora da corrida, o título é de Hamilton.

Então, me pergunto: qual a vantagem de Felipe em provocar um acidente? Com os carros sensíveis como são, nem mesmo um toque calculado seria uma atitude segura. E o próprio Massa já rechaçou qualquer atitude do nível. Gerar tensão antes de uma decisão como essa, sim, pode acarretar em alguma coisa. Ânimos inflamados, no mínimo.

Outra explicação é que Montoya pode ter confundido a F-1 com a Nascar. Isso sim faria mais sentido…


Quem acelera aqui

Rodrigo Lara é jornalista e tem 24 anos. Viciado em esportes, curte especialmente aqueles que reúnem gasolina, velocidade e carros.

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