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Button, na Turquia

Está ficando chato. O Mundial 2009 está com a cara daqueles conquistados com antecedência por Michael Schumacher. Button venceu mais uma vez. E não só isso: venceu com a costumeira superioridade absurda e absoluta.  Completaram o top 3 Webber e Vettel.

Nem dá muita vontade de escrever sobre uma corrida como a realizada em Istambul. As emoções foram reservadas para a largada, quando Barrichello literalmente empacou no grid e deu muita sorte de não ser atingido por nenhum carro,  para o erro de Vettel nas primeiras voltas, o que lhe custou o primeiro lugar, e para a ultrapassagem de Nelsinho sobre Hamilton, que, no final das contas, pouco adiantou.

Passados esses momentos, restava a tentativa tresloucada de Barrichello para recuperar posições e uma mudança de estratégia da Red Bull, que fez com que Vettel realizasse três pit stops, na impossível missão de superar Button. Não só não conseguiu como o alemão ainda foi superado pelo companheiro de equipe, Mark Webber. O resto do grid seguia numa procissão imutável.

Sobre Rubens, li um comentário por aí muito verdadeiro. Se fosse em Interlagos, ele protagonizaria a primeira anti-largada do automobilismo mundial, já que o grid do circuito brasileiro fica em uma subida. Problemas com a embreagem ou não, abandono quando ia levar uma volta de Button ou, oficialmente, por problemas no câmbio, tanto faz: só um milagre coloca o brasileiro na disputa pelo título. Milagre como os que Barrichello costuma acreditar, ao falar que espera um “tropeço” de Button para reagir.

Senta e espera, meu caro.

Abaixo a folha de resultados. Créditos ao Grande Prêmio.

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Barrichello, sensacional!

buttonmonacoEm uma corrida cerebral, Rubens Barrichello foi o responsável por se dar o melhor presente que poderia ganhar neste domingo em que completou 37 anos. Mesmo pressionado por Kimi Raikkonen no primeiro stint da prova, Rubinho superou o desequilíbrio provocado pelos pneus supermacios e conquistou um sensacional segundo lugar em Monte Carlo, lavando a alma e livrando-se do estigma de aniversariar no Dia da Tartaruga. Com o resultado, Barrichello vai a 35 pontos e mantém um confortável segundo lugar no campeonato.

Ofuscado pelo desempenho do companheiro de equipe, Jenson Button foi apenas o primeiro colocado da prova, posição que ocupou pela primeira vez na carreira em corridas monegascas. Essa classificação foi resultado de uma atuação burocrática e apagada, na qual o inglês correu isolado da maioria dos pilotos. Após o GP de Mônaco, Jenson foi a 51 pontos, o que fez crescer os rumores de favorecimento dentro da Brawn. Segundo as más-línguas, o brasileiro tem sido constantemente beneficiado para conseguir o segundo posto, o que chegou a irritar Button após a corrida de Barcelona. Na foto acima, é possível ver a cara de insatisfação do inglês.

Na sequência vieram as duas Ferraris. Um Kimi Raikkonen acordado e um Felipe Massa combativo garantiram o melhor resultado dos italianos nessa temporada. Mostraram uma grande evolução na equipe que, mantendo esse ritmo, deve ser uma das forças na Turquia. Seria interessante ver os carros vermelhos brigando diretamente com as Brawn.

Fecharam os oito primeiros Mark Webber, Nico Rosberg, Fernando Alonso e um surpreendente Sebastien Bourdais. Falando em Toro Rosso, o companheiro de Bourdais, Buemi, foi o responsável pela cena pastelão do domingo. O suíço calculou mal uma freada e atropelou a Renault de Nelsinho Piquet, tirando os dois da corrida.

Já na turma do fundão, à exceção de um Hamilton tentando andar mais que o carro, a corrida foi tranquila. A se estranhar apenas a presença das Toyotas, que parecem ter perdido um pouco de fôlego nas últimas duas corridas.

Confira abaixo o resultado, retirado do Grande Prêmio.

Fogo no campeonato

Sem difusores especiais ou Kers, a Red Bull mostrou que está forte. Tem um carro bom, um piloto fenomenal e outro que, com um carro bom nas mãos, não compromete. Não é um time sisudo, pelo contrário. E faturou hoje sua primeira vitória, numa corrida dominada com autoridade.

Vettel não teve sua liderança ameaçada em nenhum momento. Dadas as condições meteorológicas, o GP da China pode ser considerado uma das corridas chuvosas mais chatas dos últimos tempos.

As principais ameaças para a Red Bull eram os carros da Brawn. Mas estes tiveram uma atuação discreta, principalmente no caso de Barrichello, sabidamente bom de chuva. Rubinho errou no início, deixou Button passar e, daí em diante, teve uma corrida apagada. Nada ideal para quem precisa mostrar resultados dentro da equipe.

Engraçado mesmo era ver Hamilton. Alternava momentos de genialidade com engrossadas dignas de principiante. Terminou atrás do companheiro que, se não teve momentos geniais, pelo menos não cometeu erros.

A Ferrari. Bem, a Ferrari, quando não erra na estratégia, mostra que tem um carro risível. Massa vinha bem, até seu motor apagar. Kimi, por sua vez, fez o que pode. O carro que não ajuda mesmo.

Similar à decepção ferrarista é Nelson Ângelo Piquet. O cara não se acerta, simplesmente. Chega ao ponto de dar dó ver que, dificilmente, ele terá forças para reagir. Uma pena mesmo.

Abaixo a folha de resultados, retirada do Grande Prêmio.

Nada muda

nelsinhoalonsoNelsinho e Alonso ficam na Renault. Essa é a notícia uma das notícias do dia. Acredito que seja o melhor para a equipe francesa. Alonso é o grande piloto da F-1 atual e, desde que deixe um pouco de lado o seu lado desagregador, o que parece que vem acontecendo desde o meio da temporada. Com a cabeça no lugar, o espanhol é extremamente técnico e rápido e também tende a ajudar a equipe fora das pistas, tanto no que se refere ao acerto do carro quanto à questão motivacional.

Já Piquet terá a grande chance de – já habituado com o funcionamento da Fórmula 1 – mostrar do que é capaz. Não acredito que seja um fenômeno, mas também não é um zé-ninguém que está lá apenas pelo sobrenome.

É capaz de bater Alonso? Duvido. Mais pela qualidade do espanhol do que por sua falta de habilidade. Mas é capaz de andar próximo sim e, com o novo regulamento – que tende a valorizar mais o piloto –, tem boas chances de ter uma temporada melhor do que a de 2008.

Com a confirmação de Nelsinho, o Brasil deverá ter, no mínimo, três pilotos na próxima temporada. Di Grassi e Senna disputarão uma vaga na Honda. Esse teste parece ser mais decisivo para Lucas, já que, caso Senna não seja aproveitado na equipe japonesa, ele ainda tem uma boa chance ficar com uma das vagas na Toro Rosso. Já Rubinho, bem, esse parece cada vez mais longe da F-1.


Quem acelera aqui

Rodrigo Lara é jornalista e tem 24 anos. Viciado em esportes, curte especialmente aqueles que reúnem gasolina, velocidade e carros.

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