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Barrichello, sensacional!

buttonmonacoEm uma corrida cerebral, Rubens Barrichello foi o responsável por se dar o melhor presente que poderia ganhar neste domingo em que completou 37 anos. Mesmo pressionado por Kimi Raikkonen no primeiro stint da prova, Rubinho superou o desequilíbrio provocado pelos pneus supermacios e conquistou um sensacional segundo lugar em Monte Carlo, lavando a alma e livrando-se do estigma de aniversariar no Dia da Tartaruga. Com o resultado, Barrichello vai a 35 pontos e mantém um confortável segundo lugar no campeonato.

Ofuscado pelo desempenho do companheiro de equipe, Jenson Button foi apenas o primeiro colocado da prova, posição que ocupou pela primeira vez na carreira em corridas monegascas. Essa classificação foi resultado de uma atuação burocrática e apagada, na qual o inglês correu isolado da maioria dos pilotos. Após o GP de Mônaco, Jenson foi a 51 pontos, o que fez crescer os rumores de favorecimento dentro da Brawn. Segundo as más-línguas, o brasileiro tem sido constantemente beneficiado para conseguir o segundo posto, o que chegou a irritar Button após a corrida de Barcelona. Na foto acima, é possível ver a cara de insatisfação do inglês.

Na sequência vieram as duas Ferraris. Um Kimi Raikkonen acordado e um Felipe Massa combativo garantiram o melhor resultado dos italianos nessa temporada. Mostraram uma grande evolução na equipe que, mantendo esse ritmo, deve ser uma das forças na Turquia. Seria interessante ver os carros vermelhos brigando diretamente com as Brawn.

Fecharam os oito primeiros Mark Webber, Nico Rosberg, Fernando Alonso e um surpreendente Sebastien Bourdais. Falando em Toro Rosso, o companheiro de Bourdais, Buemi, foi o responsável pela cena pastelão do domingo. O suíço calculou mal uma freada e atropelou a Renault de Nelsinho Piquet, tirando os dois da corrida.

Já na turma do fundão, à exceção de um Hamilton tentando andar mais que o carro, a corrida foi tranquila. A se estranhar apenas a presença das Toyotas, que parecem ter perdido um pouco de fôlego nas últimas duas corridas.

Confira abaixo o resultado, retirado do Grande Prêmio.

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Força maior

Estive distante da internet neste final de semana, por isso não postei qualquer tipo de análise sobre o GP do Bahrein. Primeiramente, no sábado tive corrida de kart, o que atrapalhou meus planos. No domingo, final do Paulistão e outros compromissos pessoais fecharam a fatura.

Apenas breves considerações:

– Jenson Button conseguiu guiar um carro competitivo na hora certa. Vem mostrando uma pilotagem precisa e a vantagem acumulada até o momento pode ser de extremo valor caso os adversários superem o potencial da Brawn GP. Num ano em que diversas equipes apresentam um desempenho bom, polarizar conquistas no início pode render uma ótima posição ao final do campeonato.

– Em situação inversa está Rubens Barrichello. Não aproveitou a superioridade da Brawn até agora e, lutar por vitórias quando as demais equipes já estarão num nível similar não parece ser uma boa alternativa. Salvo vários lances de sorte, não parece que vai lutar pelo título em 2009.

– A corrida de Barcelona tem tudo para mexer na ordem de força do campeonato. Neste aspecto, quem parece levar vantagem é a Red Bull. Sem Kers e difusor especial, já consegue acompanhar e, por vezes, superar a Brawn. Se incorporar essas mudanças, em especial do difusor, tem grandes chances de ser a melhor equipe a partir da próxima corrida.

– Não só pela Red Bull, mas McLaren e Ferrari tendem a embolar o meio de campo, dependendo da eficiência do pacote de mudanças que será apresentado em Montmeló. Nada foi dito ainda sobre melhorias na Brawn GP e, principalmente por isso, a gordura acumulada por Button pode ser útil. O inglês, contudo, ainda não pode ser apresentado como franco-favorito ao título. Não deixa de ser um nome forte, entretanto.

– Mais do que a Ferrari, a BMW é a maior decepção de 2009. No meio do ano passado, Kubica se irritou porque a equipe parou de desenvolver o carro. A justificativa era de que eles já estavam trabalhando no modelo desse ano. Trabalho esse que, pelo visto, não rendeu.

– A Renault melhorou. Prova disso foi o 8º lugar de Alonso e o 10º de Nelsinho. O brasileiro fez uma prova correta. Se não brilhou, pelo menos não comprometeu. Quem corre sabe que uma das coisas mais difíceis de se conseguir não é a velocidade, em si, mas a constância. E isso consegue-se muito mais a partir de um trabalho mental do que por habilidade, propriamente. E, justamente, o maior problema de Nelsinho está em sua força mental. Num final de semana no qual ele deu declarações mais otimistas e pareceu correr mais tranquilo, o resultado surgiu. Que sirva de exemplo para suas próximas corridas.

Interessante

É como eu vejo a pole de Sebastian Vettel: com grande interesse. Primeiro pelo fato de que os dois carros mais rápidos do grid largam na 2ª e 3ª fila, com Barrichello e Button, respectivamente. Deverão atacar, mesmo estando de 6 a 7 voltas mais pesados.

Depois porque quebra a hegemonia que Jenson Button mantia nos treinos de classificação até o momento. Não que a Red Bull seja uma azarona. Azarão mesmo é a Renault de Alonso na segunda posição. Larga extremamente leve e não deve ter ritmo para suportar a pressão nas primeiras voltas. Corre por pontos.

As grandes decepções até o momento são Ferrari e BMW. Os italianos assumiram hoje que deixar o Kers de lado não trouxe ganho algum pelo contrário. Já os Bávaros não se encontraram em 2009. A grande chance da equipe era conquistar o segundo lugar na Austrália, com Kubica. O que aconteceu, todo mundo sabe.

Serei breve hoje e também não colocarei a análise equipe a equipe, excepcionalmente. O dueto sono e dor de cabeça está me derrubando. Boa corrida a todos!

Button, de novo

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Quem, ao final do ano passado, acreditaria na seguinte afirmação: “no segundo GP da temporada, Jenson Button terá duas poles e Lewis Hamilton estará com um carro ruim e com a fama de mentiroso”? Ninguém, acredito eu.

Pois é o que acontece. Sem qualquer problema, dificuldade ou susto, Button colocou, novamente, sua Brawn na posição de honra do grid. As Toyotas, com Trulli e Glock 9mm e a Williams de Rosberg completam as duas primeiras filas. Se o resultado já era esperado, o mesmo não é possível de dizer de alguns fatos ocorridos no treino de classificação.

O mais absurdo aconteceu com a Ferrari. No Q1, Massa e Raikkonen saíram dos boxes, deram minguadas voltas e recolheram seus carros. A explicação, dada pelo brasileiro, foi de que ele e a equipe (como é de praxe, nestes casos, ele utilizar a primeira pessoa do plural) acharam que a volta era suficiente para ficarem entre os 15 melhores e passarem ao Q2.

Não foi o que ocorreu e Massa larga em 16º. E o prejuízo da equipe poderia ser ainda maior, visto que Kimi também adotou a mesma “estratégia”. No final, o finlandês larga em um discreto, porém não-desastroso, 7º lugar.

A equipe mentirosa McLaren também não passa por bons momentos. Talvez uma pequena diferença nessa classificação tenha sido a proximidade com que Kovalainen ficou de Hamilton. Não que isso importe para quem vai largar em 14º e 12º, respectivamente.

Por fim, Nelsinho fez um treino ruim, larga em 17º e diz que já está pensando na corrida da China. Se continuar assim, é bom ele já ir pensando o que fazer após ser demitido da Renault. Apenas a título de comparação: Alonso, com febre, infecção e o c****** a quatro, sai em 9º.

E Barrichello? Rubinho classificou em 4º, mas com a punição pela troca do câmbio e sendo beneficiado pelo também punido Vettel (que sai em 13º), sai em 8º. Tem um rojão nas mãos e um pódio, no mínimo, não me surpreenderia. Escrevo mais sobre ele daqui a pouco.

Abaixo, a tabela de largada provisória (afinal, a FIAsco está aí para canetar) do GP da Malásia. Créditos dados devidamente ao site Grande Prêmio.

Novos carros na pista

Aos poucos o Mundial 2009 começa a ter seus carros definidos. Na semana passada foi a vez da McLaren (MP4-24) e da Toyota (TF109) lançarem seus modelos desde ano, devidamente adequados às novas regras que restringem a aerodinâmica. Ainda causa estranhamento o grande spoiler dianteiro e a asa traseira em formato de torre, mas aos poucos essa sensação vai ficando em segundo plano. Nenhum dos dois carros trouxe grandes diferenças com relação à Ferrari F60.

As primeiras grandes inovações vieram essa semana, com o lançamento das novas Renault (R29) e Williams (FW31). No caso da equipe francesa, a frente do seu novo carro me remeteu diretamente às Benneton da primeira metade dos anos 1990. O bico lembra muito o chamado “nariz de tubarão” dos carros que levaram Michael Schumacher ao bicampeonato, em 1994 e 1995. A equipe também mudou sua identidade visual com a chegada do patrocínio da Total, que fabrica lubrificantes. Com isso, o carro traz uma variação de amarelo (cor da Renault), laranja (cor da ING) e o vermelho da Total. Não ficou exatamente bonito, mas melhorou com relação aos anos anteriores.

Já a Williams adotou um tom escuro de azul nessa pré-temporada. O desenho da frente traz um bico mais achatado que o das concorrentes, lembrando um pouco um bico de pato. Uma mudança grande de regras era a grande esperança do time inglês voltar a andar entre os primeiros colocados. Pelo design do carro, parece que o pessoal de Grove seguiu um caminho diferente dos outros times. O carro, como sempre, é um dos mais bonitos do grid. Resta esperar.

Fora do regulamento?

Mal começaram os testes da temporada 2009 e já há uma polêmica no ar. Segundo a alemã Auto, Motor und Sport, o escapamento da nova Ferrari estaria fora do regulamento, por proporcionar ganhos aerodinâmicos (veja abaixo, em foto retirada do Tazio). Realmente há uma grande diferença entre o vão na carenagem para abrigar o final do duto de escape da F60 e a mesma peça dos demais carros. Resta esperar para ver no que dá. Outro pronto controverso são os retrovisores do carro novo da Scuderia e as duas aletas que a Toyota está usando em seu novo bólido.

Nada muda

nelsinhoalonsoNelsinho e Alonso ficam na Renault. Essa é a notícia uma das notícias do dia. Acredito que seja o melhor para a equipe francesa. Alonso é o grande piloto da F-1 atual e, desde que deixe um pouco de lado o seu lado desagregador, o que parece que vem acontecendo desde o meio da temporada. Com a cabeça no lugar, o espanhol é extremamente técnico e rápido e também tende a ajudar a equipe fora das pistas, tanto no que se refere ao acerto do carro quanto à questão motivacional.

Já Piquet terá a grande chance de – já habituado com o funcionamento da Fórmula 1 – mostrar do que é capaz. Não acredito que seja um fenômeno, mas também não é um zé-ninguém que está lá apenas pelo sobrenome.

É capaz de bater Alonso? Duvido. Mais pela qualidade do espanhol do que por sua falta de habilidade. Mas é capaz de andar próximo sim e, com o novo regulamento – que tende a valorizar mais o piloto –, tem boas chances de ter uma temporada melhor do que a de 2008.

Com a confirmação de Nelsinho, o Brasil deverá ter, no mínimo, três pilotos na próxima temporada. Di Grassi e Senna disputarão uma vaga na Honda. Esse teste parece ser mais decisivo para Lucas, já que, caso Senna não seja aproveitado na equipe japonesa, ele ainda tem uma boa chance ficar com uma das vagas na Toro Rosso. Já Rubinho, bem, esse parece cada vez mais longe da F-1.


Quem acelera aqui

Rodrigo Lara é jornalista e tem 24 anos. Viciado em esportes, curte especialmente aqueles que reúnem gasolina, velocidade e carros.

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